ana gomes, lei da paridade, política
In ana gomes, lei da paridade, política on Junho 9, 2008 at 10:18 pm
Ainda esta ideia de quem quer ser de Primeiro Mundo, mas no fundo ainda tem um tecido social próprio de um país de Terceiro Mundo.
Já não há quem ature esta Ana Gomes. Apesar de ser militante do mesmo Partido que eu, não lhe consigo suportar este gosto pela discriminação positiva. Será que ainda não se percebeu que a discriminação, mesmo que positiva, tem sempre um pressuposto implícito discriminatório? Para discriminar positivamente, temos como ponto de partida a ideia de que uns não têm a mesma igualdade de oportunidades do que outros.
Não haverá outra forma de promover a igualdade de oportunidades do que com mais discriminação? Fez-se há pouco tempo a lei da paridade. Muitos, no Partido Socialista, orgulham-se, fica bem ao comum dos cidadãos. Mas temos que pensar mais profundamente.
Com a lei da paridade estamos à dizer às mulheres que vão apenas ter direito ao mesmo número de lugares do que os homens, porque são mulheres, porque no fundo são inferiores e têm que ser protegidas pela lei.
Não se compreende. Eu não percebo. Até que nem me importava de ser governado única e exclusivamente por mulheres. Desde que tal fosse um resultado da estrita avaliação do mérito de cada um. Simples. Mas este país não está habituado a soluções assim tão simples.
colômbia, farc, hugo chávez, política, portugal, venezuela
In colômbia, farc, hugo chávez, política, portugal, venezuela on Junho 9, 2008 at 6:04 pm
camionistas, combustíveis, política, sindicatos, trabalho
In camionistas, combustíveis, política, sindicatos, trabalho on Junho 9, 2008 at 5:45 pm
O protesto de hoje dos camionistas não tem recebido o apoio generalizado da classe e muitos dos veículos pesados são obrigados a parar junto às bermas das estradas e no interior das empresas contra a vontade dos seus motoristas.
Ao longo do dia, a SIC Notícias e a Lusa têm reportado situações de alguma violência contra os motoristas que não pretendem aderir ao protesto e parar os seus veículos, em sinal de apoio contra o agravamento do preço dos combustíveis. Estes condutores sustentam que têm medo em prosseguir viagem e, no caminho, serem apedrejados pelos colegas que se encontram nas bermas de muitas estradas nacionais.
Os sindicatos advogam que a paralisação foi convocada pelos patrões e que, com ela, os trabalhadores nada têm a ganhar em termos de melhores condições de trabalho. É certo. Não obstante, as transportadoras, para que possam fazer face ao incremento de custos proveniente da escalada do preço dos combustíveis, terão que cortar custos noutros sectores, quiçá reduzindo a frota ou os salários dos trabalhadores…
Aí já teremos os sindicatos dos trabalhadores a apelar à greve quando, na prática, já pouco será possível fazer.
Convém que os dirigentes das plataformas sindicais (elites) se lembrem das seguintes palavras de Edward Palmer Thompson que, na sua obra “A Formação da Classe Operária Inglesa”, escrevia sobre o conceito e consciência de classe, o seguinte:
“A classe acontece quando alguns homens, como resultado de experiências comuns (herdadas ou partilhadas), sentem e articulam a identidade dos seus interesses entre si e contra outros homens cujos interesses diferem (e geralmente se opõem) dos seus. A experiência de classe é determinada, em grande medida, pelas relações de produção em que os homens nasceram – ou entraram involuntariamente. A consciência de classe é a forma como essas experiências são tratadas em termos culturais: encarnadas em tradições, sistemas de valores, ideias e formas institucionais.”