Todas as ideias que hoje julgamos perpétuas, não passam de meros rascunhos do que serão as nossas reflexões do amanhã. Não obstante a sua eminente precaridade, são elas que constituem a nossa essência. Assim sendo, o seu registo consubstancia-se como uma actividade da mais alta pertinência. É a isso que me proponho.

Entendam-se!

In camionistas, combustíveis, política, sindicatos, trabalho on Junho 9, 2008 at 5:45 pm

O protesto de hoje dos camionistas não tem recebido o apoio generalizado da classe e muitos dos veículos pesados são obrigados a parar junto às bermas das estradas e no interior das empresas contra a vontade dos seus motoristas.

Ao longo do dia, a SIC Notícias e a Lusa têm reportado situações de alguma violência contra os motoristas que não pretendem aderir ao protesto e parar os seus veículos, em sinal de apoio contra o agravamento do preço dos combustíveis. Estes condutores sustentam que têm medo em prosseguir viagem e, no caminho, serem apedrejados pelos colegas que se encontram nas bermas de muitas estradas nacionais.

Os sindicatos advogam que a paralisação foi convocada pelos patrões e que, com ela, os trabalhadores nada têm a ganhar em termos de melhores condições de trabalho. É certo. Não obstante, as transportadoras, para que possam fazer face ao incremento de custos proveniente da escalada do preço dos combustíveis, terão que cortar custos noutros sectores, quiçá reduzindo a frota ou os salários dos trabalhadores…

Aí já teremos os sindicatos dos trabalhadores a apelar à greve quando, na prática, já pouco será possível fazer.

Convém que os dirigentes das plataformas sindicais (elites) se lembrem das seguintes palavras de Edward Palmer Thompson que, na sua obra “A Formação da Classe Operária Inglesa”, escrevia sobre o conceito e consciência de classe, o seguinte:

“A classe acontece quando alguns homens, como resultado de experiências comuns (herdadas ou partilhadas), sentem e articulam a identidade dos seus interesses entre si e contra outros homens cujos interesses diferem (e geralmente se opõem) dos seus. A experiência de classe é determinada, em grande medida, pelas relações de produção em que os homens nasceram – ou entraram involuntariamente. A consciência de classe é a forma como essas experiências são tratadas em termos culturais: encarnadas em tradições, sistemas de valores, ideias e formas institucionais.”