Os sindicatos advogam que a paralisação foi convocada pelos patrões e que, com ela, os trabalhadores nada têm a ganhar em termos de melhores condições de trabalho. É certo. Não obstante, as transportadoras, para que possam fazer face ao incremento de custos proveniente da escalada do preço dos combustíveis, terão que cortar custos noutros sectores, quiçá reduzindo a frota ou os salários dos trabalhadores…
Aí já teremos os sindicatos dos trabalhadores a apelar à greve quando, na prática, já pouco será possível fazer.
Convém que os dirigentes das plataformas sindicais (elites) se lembrem das seguintes palavras de Edward Palmer Thompson que, na sua obra “A Formação da Classe Operária Inglesa”, escrevia sobre o conceito e consciência de classe, o seguinte:
“A classe acontece quando alguns homens, como resultado de experiências comuns (herdadas ou partilhadas), sentem e articulam a identidade dos seus interesses entre si e contra outros homens cujos interesses diferem (e geralmente se opõem) dos seus. A experiência de classe é determinada, em grande medida, pelas relações de produção em que os homens nasceram – ou entraram involuntariamente. A consciência de classe é a forma como essas experiências são tratadas em termos culturais: encarnadas em tradições, sistemas de valores, ideias e formas institucionais.”

